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sábado, 3 de dezembro de 2016

Meu primeiro amor

Foste meu primeiro amor,
Meu amável Criador.
Foste meu primeiro amor,
Meu Divino Salvador.

Eu sequer 'inda existia
E em mim Tu já pensavas.
Meu coração nem palpitava
E Tu bem antes me querias...

...antes de mim já me amavas!

De Ti saber mesmo não sabia
Mas Tu bem me conhecias
Nem balbuciar eu podia.
Tu por meu nome me chamavas.

...antes de mim já me amavas!

Foste meu primeiro amor,
Meu adorável Redentor.
Foste meu primeiro amor,
Meu amado Deus e Senhor.






segunda-feira, 29 de agosto de 2016

ECCE MATER TVA


– Recebe como Mãe em tua casa, filho meu,
A Mãe de teu Senhor e de teu Deus!

Saúda-a como a saudou o Santo Arcanjo Gabriel:
– Salve, ó Virgem Maria, cheia da graça de Deus,
Pelo Espírito desposada, esposa pura e fiel,
Santa Mãe de Deus filho, Deus-conosco, Emanuel.

Acolhe-a como a acolheu a Santa prima Isabel...
Que cheia do Espírito, desde as entranhas estremeceu,
e, bendizendo-a e ao fruto do seu ventre, a saudou
Como mãe de seu Adonai, seu Kyrios, seu Senhor.

Recebe-a como a recebeu São João ao pé da Cruz
encomendada pela palavra do próprio Senhor Jesus.
Eis, ó cristão, a beleza e ventura de teu fado:
(não se entrega a santa mãe ao infiel desalmado)
Recebe-a como Mãe o discípulo muito amado.

***

Cantai louvores à Santíssima,
A mais bela criatura,
A mais perfeita, mais querida,
A eleita, a escolhida.

Ó espetáculo indizível,
De amor e de afeição,
E de beleza infinita:
Desde toda a eternidade
A Divina Majestade
Inclina-se para escutar
A primícia da criação,
A Virgem humilde e pura,
E esperar o seu Fiat
– Ó mistério! Ó inaudita loucura! –
Pra renovar o universo, e nos devolver à Vida!

A qual outra criatura? 
 – nem a um anjo do céu 
Deus outorgou tantas graças, tanta honra concedeu.
Nela Deus fez maravilhas,
Manifestou seu poder,
misericórdia, e amor:
Admirável associação da dileta ao Criador!
Nela Deus se incarnou, com ela deu-nos o Cristo,
Nosso Senhor Amado, Redentor e Salvador.

***
Demos glória a Deus Pai
E ao Espírito Santo de Amor,
E a Deus Verbo, Filho divino:
Ao Deus único, uno e trino.

Cantemos à Virgem pia,
Cantem os anjos no céu,
Pois o que honra Maria
Proclama o poder de Deus,
Glorifica ao Senhor.

E, pela divina graça,
Honrando a que foi honrada,
Com santa humildade,
Imita o Criador.

***

– A Vós me entrego e me confio,
Santíssima Virgem Maria.
Se a ti Deus Se confiou,
Dizei-me, ó Santa Mãe,
por que tão mísero pecador
em ti não confiaria?

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N.B.: 
Ó, católico envergonhado
do culto de hiperdulia
que prestamos à Mãe de Deus,
Santíssima Virgem Maria:
tirai a venda dos olhos
e a capa da heresia,
pois a nós foi encarregada
tão magnífica profecia
de proclamá-la bem-aventurada
desde então ao fim dos dias.



domingo, 30 de novembro de 2014

Para o Ano Novo que se inicia

Para o Ano Novo
que se inicia
neste Advento

Santo Ano Novo!
O Natal já advém. 
Seja cada coração 
Santa gruta de Belém.

Santo Ano Novo 
Para a maior glória a Deus, 
Tempo de vida eterna, 
(Façamo-lo) 
Caminho para ir ao Céu.
Santo Ano Novo 
De dias de chuva ou sol, 
Aconchego ou noite fria,
Dissabores e confortos,
Que nada nos seja estorvo
.
Corações postos no Alto,
Os pés calcando os campos.
Ao som de cítaras e harpas, 
E de violas e banjos, 
Cantemos hosanas com os anjos 
Até que se perca a voz, 
Exultantes de alegria 
Ao saber que a cada dia 
O Salvador vem a nós!

Ano Novo é tomar a estrada 
Sem nunca andar sozinho 
Sabendo ler os sinais 
Que Deus pinta em Sua lida 
Na tela do universo 
feito a partir do nada.

Este riacho que canta,
Uma ave que chilreia,
Estrela-do-mar na areia, 
Os astros no infinito,
O vento que sopra forte
Ou sussurra em leve brisa,
O mar bravio ou em calma.

Um guaipeca dormindo
Na nossa porta de entrada,
O choro do pequenino,
A dor de quem agoniza,
O corpo fraco que morre,
A esperança que nos socorre,
O grito de nossa alma
Que anela por sua fonte
No anseio de ser nutrida,
São setas, trilhas, pontes...

O mundo da criação,
Sinfonia de beleza 
E, por permissão benfazeja,
Da Divina Perfeição,
Formidável chiaroscuro.
Essa escritura ilustrada
a ser bem interpretada
(Consultem os Testamentos
E a voz da Santa Igreja!)
É farol ao Porto Seguro...
...O berço do Senhor da Vida!

Haverá tesouros para entregar-Lhe
Ao fim da nossa jornada?

Ano Novo é espada, 
Bisturi, lâmina afiada 
- choro e sangue de inocentes - 
Dos soldados de Herodes, 
O falso adorador, 
Mentiroso e homicida 
Que finge prezar a Vida. 
Antanho invadiam casas, 
Hoje violam os ventres.

Ano Novo é caminhada, 
É fuga na madrugada, 
É evasão em segredo, 
Em silêncio, nem um ai!
Exílio em terras alheias. 
Infância, 
Na casa longe de casa. 
Confiar. Vencer o medo. 
Pátria aqui é sombra, arremedo. 
Aqui somos estrangeiros, 
Forasteiros, peregrinos. 
Outra é a nossa Pátria 
Outro é nosso destino. 
Nossa Casa é a do Pai.

Ano Novo é tempo santo. 
Estar pra Deus sempre pronto 
É amorosa obrigação 
Devida em cada momento. 
Ano Novo é louvação, 
É preceito e romaria, 
É perda, angústia, reencontro. 
É ocupar-se com o que é de Deus 
E guardar no coração 
O que escapa ao entendimento, 
Como fazia Maria.

Ano Novo é suor, cansaço, 
Trabalho de carpintaria 
E ganho em moeda parca. 
É fazer obra divina 
No anonimato, surdina, 
Sem vanglória e logomarca. 
(Quanto não valeria 
Uma mesa autografada 
Por São José, por Jesus; 
Um bordado em ponto cruz 
Das mãos da Virgem Maria?)

Ano Novo é Evangelho 
Ano Novo é precursão, 
É endireitar os caminhos, 
Arrependimento, conversão, 
Reparação, penitência, 
Batismo no rio Jordão...

Ano Novo é recolhimento, 
Deserto, ascese, oração. 
Vigiar, ficar desperto.
O sempre se faz agora! 
E aquele que é o Torto 
Se apresenta como o certo.

Pelas falsas riquezas do mundo, 
-- Que belo cheque-sem-fundo!-- 
Ou por um pedaço de pão, 
Há quem troque o Redentor
E jogue fora a Salvação.
E do Senhor não se sabe a hora.

Ano Novo é chamado, 
É humilde aprendizado. 
É festa, bodas, intercessão, 
É banquete aos convidados. 
Vistamos roupa de gala, 
Eis que o Cordeiro se imola 
E nós dá seu Corpo e Sangue 
E água do Seu costado 
Tanto é o amor à Sua Esposa!


Feliz Ano Novo 
De parábolas e sermões, 
Chicotes e expulsões, 
Ternura e acolhimento, 
Curas, conversões, 
Fé, incredulidade, 
Indiferença, discórdia, 
Covardias e traições, 
Amor e misericórdia. 
Bom trigo e, no meio, joio, 
Terra boa e pedregulho, 
Sementes, pássaros e abrolhos.

Quem tem ouvidos, entenda: 
A paz de Cristo é contenda, 
É combate, divisão. 
Não se espante o cristão 
Desse mundo de agruras, 
Cobiça, dor, amarguras, 
Tristezas e injustiças.

Do lavrador a missão 
De colono, desbravador, 
Não é encontrar a lavoura 
Já plantada, bem carpida, 
E a safra já colhida 
E recolhida ao celeiro, 
'que essa não é a sua vida.

Feliz Ano Novo 
De hosanas, calvário, paixão, 
Morte e ressurreição, 
'que não há felicidade sem dor 
E não há glória sem cruz...


Felicidade mesminha 
É só a felicidade eterna.
Feliz se é aqui na terra
Quando pela santidade 
Antecipa-se nesta vida
O contentamento infinito 
Do gozo da casa paterna.


Pois a escada da Cruz 
Começou lá com Adão. 
Escada que só descia, 
E sinal de maldição.

Do infinito Amor do Amor 
E, quem dizer poderia, 
Com o amoroso Sim 
Daquela santa guria 
Filha de Ana e Joaquim, 
Fez-se carne o Verbo, Jesus, 
Que com amoroso Sim
Completou o Sim de Maria: 
Da escada que só descia 
Inverteu a direção.

Do opróbrio fez Salvação. 
E a Cruz que Ele viveu, 
O Leito em que Ele morreu, 
Por sua Ressurreição 
Agora é escada pro Céu, 
Cidade Santa de Deus.

Santo Ano Novo!
Santo Natal!